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SOBRE UM VERSO DE BILAC
MARILENE (NENA) DE CASTRO
" Criança,
não verás país nenhum como este”
aqui se matam infantes
de fome, de raiva, de sede,
de ignorância, de doença,
na selva da indiferença
dos políticos omissos,
que nos seus cultos e missas
entre améns e louvores
acalmam as consciências!
Criança, se podes, corre,
ultrapassa as barreiras do (i)lógico
e foge, para PASÁRGADA,
onde Bandeira descansa
em prosa dourada e mansa :
ele é amigo do Rei
e lá te dará pousada
e lá tu terás bonança!
Com sorte verás o Rosa,
que com causos de Miguilim
apaziguará teu sofrer.
Talvez encontres por lá
visitando o Manuel
o poeta de tais versos,
Que sofrerá ao te ver,
E tristemente dirá :
“Criança, país como este,
no qual existem FEBENS
E rios de águas mortas,
onde pivetes se banham
e Herodes lavam as mãos
enquanto gritam améns,
Certamente não verás!”
Só há festa nos castelos
E nos iates dourados!
E morrem de fome e crack
Meninos tão descorados,
Meninos tão desvalidos
Que vivem ao Deus-dará!
Criança, certamente não verás
um país tão mau e lento!
Foge dele, seu Pixote!
Do teu destino cruento
Se quiseres... se puderes,
Nas asas brancas do vento!
Sinto-me honrado em fazer parte do ciclo de amizade desta talentosa poetisa, com quem tive o privilégio de lutar pela causa dos menos favorecidos, levando-lhes um pouco de justiça na luta ingrata da injustiça.
Carinhosamente: John Vask
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